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Cidades para quem: veja o que elas disseram

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Mulheres e Meninas

01 / 12 / 2017

Cidades para quem: veja o que elas disseram

No dia 30 de novembro, realizamos o Seminário Cidades Seguras para as Mulheres: Experiências e Práticas, junto com a 11ª Bienal de Arquitetura de São Paulo, na Praça das Artes. Durante o encontro, recebemos representantes de organizações internacionais, do poder público e de movimentos sociais para discutir a vivência das mulheres nas cidades. Veja os destaques do debate sobre mulheres e cidades:

O fato de as mulheres precisarem organizar mapas mentais para transitar pelas cidades com segurança mostra que esses espaços não foram planejados sob a perspectiva de gênero.

Amanda Lemos, da ONU Mulheres no Brasil.

O corpo das mulheres é o primeiro espaço de resistências delas, porque os espaços urbanos são hostis para elas quando elas atravessam a cidade.

Jessica Barbosa, da ActionAid.

Essas mulheres que são mais pobres, que têm menos educação, que têm mais filhos, têm mais dependência do território e ao mesmo tempo moram no território mais esquecido pelos direitos serão as mulheres que sofrerão mais violência na cidade.

Ana Falu, professora da Universidade de Córdoba e co fundadora da Rede Mulher e Habitat.

As mulheres têm uma potência de reinventar em contextos de crise, criar soluções inovadoras para as questões de segurança pública e todas outras que cruzam essa pauta, essas soluções virão das favelas e periferias.

Shirley Vilella, do nosso parceiro Redes da Maré.

As mulheres que sofrem a violência ou que percebem o temor da violência, mudam suas rotinas, mudam suas vidas, até seu jeito de vestir, por causa do temor de violência.

Ana Falu, professora da Universidade de Córdoba e co fundadora da Rede Mulher e Habitat.

 Em 2014 entramos na campanha de Cidades Seguras para as Mulheres com a ActionAid. Aí a gente foi entender o que é realmente segurança para as mulheres: uma segurança ampla com saúde, educação.

Lídia Tavares, do nosso parceiro Unas Heliópolis.

Cidades para quem? 13% das mulheres negras do Recife vivem a uma distância de até 300 metros das paradas de ônibus.

Letícia, Instituto de Política de Transporte e Desenvolvimento.

A pauta política vai ser nossa quando as pessoas puderem falar por si. Especialmente as mulheres negras e transgêneras.

Neon Cunha, ativista LGBT.

Uma das questões que a gente esbarra quando está falando de serviços públicos sensíveis a gênero é a falta de indicadores desagregados por gênero, é mais ainda se queremos indicadores desagregados por gênero, raça e classe.

Letícia Bortolon, Instituto de Política de Transporte e Desenvolvimento.

Mulheres da Maré repetem com veemência que o direito de ir e vir virou uma questão na vida delas, porque existe nos últimos dois anos uma exacerbação de armamentos e luta por território.

Shirley Vilella, do nosso parceiro Redes da Maré.

Os corpos das mulheres são políticos. São o primeiro espaço de resistência na cidade, são corpos dotados de cidadania.

Ana Falu, professora da Universidade de Córdoba e co fundadora da Rede Mulher e Habitat.

A cidade tem um gênero? As mulheres sempre estiveram na rua. Quem vive plenamente, quem vive bem, quem circula, quem se sente dono é o homem. Ele está integrado a cidade, enquanto as mulheres estão sendo perpassadas.

Amanda Lemos, da ONU Mulheres no Brasil.

A construção do medo na cidade também é uma narrativa de limitação da vida das mulheres, mais uma forma de controle que incide na vida delas.

Nalu Faria, da Marcha Mundial das Mulheres.

Hoje o movimento feminista, principalmente a juventude, tem dialogado sobre o sentimento de pertencimento na cidade, no território. O corpo sendo o primeiro território de resistência e a luta pela liberdade desses corpos na cidade faz parte disso.

Daise Recoaro, da Articulação das Mulheres Brasileiras.

A cidade tem uma dimensão política, material e simbólica, que tem uma série de valores intangíveis. Nessa dimensão simbólica é que as mulheres são oprimidas, são subalternizadas e por isso, não são incluídas no seu planejamento.

Ana Falu, professora da Universidade de Córdoba e co fundadora da Rede Mulher e Habitat.

 

Nina Borges

Assessora de Comunicação Digital

E-mail: nina.borges@actionaid.org