Saberes das quebradeiras de coco babaçu se tornam Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil
A história de conquista e a resistência das mulheres quebradeiras de coco babaçu ganhou um novo e importante capítulo: o ofício tradicional dessas mulheres, que há gerações protegem e vivem das florestas de babaçuais nos estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Pará, agora é oficialmente reconhecido por lei como Patrimônio Cultural Imaterial Brasileiro.
Esse reconhecimento representa um marco fundamental para a visibilidade, proteção e valorização de uma atividade liderada por mulheres e transmitida há gerações. Mais do que uma validação simbólica, a nova lei abre caminhos amparados pela Constituição Federal para o fortalecimento de políticas públicas e legislações específicas que resguardem o direito dessas comunidades tradicionais aos seus territórios e modos de vida.
O babaçu é uma palmeira nativa e soberana, típica das regiões Norte, Nordeste e do bioma Cerrado. Para as comunidades tradicionais, a planta é sinônimo de vida e autonomia econômica. A lida das quebradeiras envolve desde a coleta e o manejo sustentável até a quebra e o beneficiamento do coco. Da palmeira, tudo se aproveita: extrai-se o óleo, o sabão, a farinha, o carvão e o artesanato, gerando alimentos e bens de uso cotidiano que sustentam milhares de famílias.
Esse ofício secular é um saber ancestral transmitido de mãe para filha, profundamente enraizado na identidade camponesa e quilombola. A prática está diretamente ligada à organização coletiva das mulheres, que se unem em associações para defender as palmeiras de pé e combater as ameaças ao meio ambiente. Ao protegerem os babaçuais, essas mulheres atuam como verdadeiras guardiãs da biodiversidade, provando que o desenvolvimento sustentável e a justiça social caminham juntos.
Há décadas a ActionAid atua ao lado do MIQCB e da Assema, duas das principais organizações que atuam em defesa das quebradeiras de coco, e recentemente levou a história de Kleidianny até Londres durante a exposição Women by Women, realizada pela ActionAid, que levou histórias de dezenas de mulheres do mundo todo, fotografadas por outras mulheres, para o centro do palco.
A Co-Diretora da ActionAid, Glauce Arzua, destaca a importância de seguir lutando pelos direitos dessas mulheres.
"As quebradeiras de coco babaçu são guardiãs de um patrimônio cultural, ambiental e econômico que beneficia toda a sociedade brasileira. O reconhecimento de sua atividade como manifestação da cultura nacional é uma conquista importante, mas que chega após décadas de invisibilidade e de ameaças aos seus territórios. Valorizar as quebradeiras é reconhecer o papel fundamental das mulheres na proteção da biodiversidade, no enfrentamento da crise climática e na construção de um modelo de desenvolvimento mais justo e sustentável para o país."
A sanção desta lei fortalece a nossa missão de seguir agindo em conjunto com as organizações locais parceiras para garantir que esses direitos não fiquem apenas no papel. Seguimos juntos, fortalecendo quintais produtivos, acesso a mercados inclusivos e espaços de liderança feminina, celebrando a força de quem transforma a tradição em um potente ato de resistência e vida.
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