Reparação, justiça e bem-viver para mulheres negras são temas no Seminário Lélia Gonzalez realizado pela Câmara dos Deputados
Marcando o início do Julho das Pretas, São Paulo recebeu o Seminário Lélia Gonzalez: Políticas de Reparação, Justiça(s) e Bem-Viver para Mulheres Negras, iniciativa da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados com a parceria do Centro Brasileiro de Justiça Climática (CBJC) e participação da ActionAid. O encontro reuniu parlamentares, intelectuais, pesquisadoras e representantes da sociedade civil para discutir políticas públicas de reparação, democracia, justiça racial, justiça climática e os desafios enfrentados pelas mulheres negras brasileiras.
O seminário acontece em contexto de fortalecimento da mobilização política das mulheres negras no Brasil. Em novembro de 2025, cerca de 300 mil mulheres negras ocuparam as ruas de Brasília durante a Marcha Nacional das Mulheres Negras por Reparação e Bem-Viver, reafirmando uma trajetória histórica de incidência política, enfrentamento ao racismo estrutural e defesa da democracia.
O encontro também homenageou o legado intelectual e político de Lélia Gonzalez, referência na produção de pensamento crítico sobre raça, gênero, cultura e democracia no Brasil. Sua obra permanece fundamental para compreender os impactos do racismo, do sexismo e das desigualdades estruturais, além de inspirar a construção de políticas voltadas ao bem-viver e à justiça social.
Um dos temas discutidos foi a Justiça Climática, principalmente pela jornalista, fundadora do CBJC e conselheira da ActionAid, Andréia Coutinho Luback, que defende que não há antirracismo, luta de classe e de gênero sem pautar a como os territórios são afetados pelos eventos climáticos cada vez mais intensos.
“Olhar para trás, honrar as nossas trajetórias e as nossas encruzilhadas individuais e coletivas é um grande exercício. De um lado, ganhamos. De outro, perdemos. Fato é que estamos posicionadas frente a todas as possibilidades e caminhos que se abrem por memória, reparação e bem viver”.
O foco em uma educação antirracista com base no princípio da equidade foi destaque na fala da Co-Diretora da ActionAid, Ana Paula Brandão, que também lembrou a importância de se garantir que a Lei 10.639 seja efetivamente cumprida nas escolas brasileiras.
“Quando a gente fala de equidade, a gente está falando de uma superação da ideia de igualdade. Igualdade pressupõe que todos somos iguais, e não somos. Equidade é um direito e um dever do Estado, e eu chamo a atenção, faz 23 anos que a Lei 10.639 foi promulgada e a gente ainda tem um longo e tortuoso caminho para que ela seja de fato efetiva nas escolas do país.”
Além de refletir sobre memória e reparação, o seminário buscou ainda discutir como mulheres negras seguem construindo respostas coletivas para enfrentar as desigualdades raciais, de gênero, econômicas e ambientais, ocupando espaços de decisão e formulando alternativas para uma sociedade mais democrática e inclusiva.
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