Programa Cisternas ganha Prêmio de Política para o Futuro da ONU
A premiação, iniciativa do World Future Council, destaca anualmente as melhores políticas públicas globais que combatem a desertificação e a degradação dos solos. Este ano, o Brasil liderou o prêmio com o reconhecimento do Programa Cisternas, que permite às famílias rurais do Semiárido acessar água e viver na região.
Este programa é liderado pela Articulação do Semiárido (ASA), rede da qual fazemos parte junto com outras organizações parceiras, e conta com o financiamento do Governo Federal. O objetivo de 1 milhão de cisternas foi alcançado em 2014, desde então mais 250 mil reservatórios de água foram instalados.

Milhares de cisternas foram construídas em escolas para garantir o acesso à água de crianças e jovens
As cisternas captam a água da chuva, permitindo que as famílias tenham acesso à água para uso doméstico. Essa é uma tecnologia reconhecida de convivência com o semiárido e permite que as pessoas permaneçam em suas casas, enfrentando períodos de estiagem. Desde 2012, a região sofre com sua pior seca, no entanto, relatórios indicam que não há incidência dos seus efeitos mais graves: mortalidade infantil, fome ou migração em massa. Isso só é possível devido ao sucesso da política de cisternas, que possibilita o convívio com o bioma local.
Valquíria Lima, integrante da coordenação da ASA, comenta que o Programa é resultado de uma solução encontrada pelas próprias famílias:
O Programa Cisternas comprova que a sociedade civil organizada além de propor, mobilizar, pode executar políticas públicas adequadas. No nosso processo metodológico, as famílias são protagonistas. Elas se envolvem no processo de mobilização da comunidade, na construção da tecnologia, nos processos formativos.
Celebramos este prêmio e defendemos modos de vida resilientes e sustentáveis, que respeitam e convivem com seus ecossistemas nativos. Entendemos que é preciso acompanhar essa política pública, que atualmente corre o risco de ser remodelada. Isso pode significar a redução da participação da ASA e da sociedade civil, além de profundos cortes de recursos, o que impactaria diretamente no acesso à água de milhares de pessoas.
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