Mulheres quilombolas preparam-se para a COP30 em formação com o apoio da ActionAid
A realização da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima no Brasil, em novembro deste ano, traz várias oportunidades para a participação da sociedade no debate sobre a crise climática e a proteção ao meio ambiente nos próximos anos, mas também corre o risco de alienar representantes da sociedade civil mais marginalizados, como povos originários, mulheres e pessoas negras, que paradoxalmente são também as maiores vítimas do racismo ambiental.
Uma das iniciativas para minimizar essa distância entre o debate internacional sobre o clima e a linha de defesa direta do meio ambiente é a formação “Mulheres Quilombolas Rumo à COP30- Sudeste”, uma ação educacional realizada pelo Centro Brasileiro de Justiça Climática (CBJC), com apoio da ActionAid, e em parceria com a Coordenação Nacional de Articulação de Quilombos (CONAQ), que busca fortalecer a participação dessa população nas discussões políticas que impactam diretamente a elas.
Essa é a segunda edição da formação, que busca capacitar mulheres quilombolas de todas as regiões do país, fornecendo ferramentas e vocabulário para que elas possam ser parte do debate internacional sobre o clima.
“Para além da democratização, temos também a possibilidade da incidência. Para estar em um lugar como este, é importante que as pessoas estejam preparadas para discutir os assuntos que serão abordados. No CBJC, entendemos a histórica contribuição de mulheres quilombolas para a atenuação da crise climática, logo desejamos que elas estejam presentes e tenham uma atuação efetiva, de modo que consigam levar suas demandas para mais este espaço de luta e disputa política.”
Anne Heloíse, coordenadora de Educação Climática, do CBJC
Além da formação realizada no Rio de Janeiro, que reúne mulheres quilombolas de diferentes idades, de matriarcas com mais de 60 anos a também novas lideranças, que aos 20 estão sendo formadas para perpetuar e preservar esses saberes, o CBJC também prepara um documentário com os principais registros, histórias e momentos marcantes desse encontro de gerações e territórios, e o “Guia Mulheres Quilombolas Rumo à COP 30”, material fruto da formação do que tem como objetivo fortalecer o conhecimento de mulheres quilombolas.
O Coordenador de Políticas e Programas da ActionAid, Junior Aleixo, participou da formação com a aula “Transição Energética”, levantando principalmente o debate de quem é realmente incluído quando se fala de fontes de energia mais justas.
“Pra mim foi um prazer estar nessa formação, principalmente entendendo que não dá pra só discutir transição energética - que tem sido um debate muito feito nas arenas internacionais e no Brasil, no caso da COP – mas debater principalmente a transição energética justa, popular e inclusiva. Isso é muito importante pra gente pensar qual é o tipo de energia, de matriz energética, que a gente quer pra nossa realidade.”
Junior Aleixo, Coordenador de Políticas e Programas da ActionAid
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