Mulheres do Polo da Borborema vão as ruas em defesa do território na 17ª Marcha pela Vida das Mulheres e pela Agroecologia
A força coletiva das mulheres do Polo da Borborema tomou as ruas de Remígio, na Paraíba, durante a 17ª Marcha pela Vida das Mulheres e pela Agroecologia. Com o tema "Mulheres em Defesa do Território: Contra a Fome e o Feminicídio", o evento apoiado pela ActionAid reuniu mais de 6 mil agricultoras, jovens e lideranças comunitárias para reafirmar que a luta pela terra e pelo fim da violência de gênero são caminhos inseparáveis na construção de um futuro justo.
Há quase duas décadas, a Marcha representa um dos maiores marcos de mobilização política na região e, além de celebrar a resiliência das mulheres que vivem da terra e para a terra, também dá visibilidade a questões urgentes, como a proteção da biodiversidade, o combate sistemático ao feminicídio e a defesa do território, principalmente diante do avanço predatório de empresas que buscam licenciar a terra para a instalação de turbinas eólicas.
Esse é, inclusive, um dos principais slogans da Marcha em diversos anos: “Energia renovável sim, mas não assim!” Adriana Galvão Freire, coordenadora da AS-PTA Agricultura Familiar e Agroecologia, organização parceira da ActionAid e que atua há 33 anos na Borborema, explica o problema.
“Da forma como esses empreendimentos eólicos chegam aos territórios, a gente não consegue lidar efetivamente com as mudanças do clima. Eles mantêm o padrão de desenvolvimento econômico vigente e acabam por privatizar nossos bens comuns, seja o vento, o sol ou a terra. Impedindo que milhares de famílias do território possam produzir seus alimentos com qualidade e vender nos mercados locais. Possam continuar mantendo o seu projeto de vida”.
Para essas mulheres, como Dona Ritinha, que já esteve presente em quase todas as edições da Marcha, a agroecologia não é apenas uma forma de produção, mas uma ferramenta de autonomia que garante segurança alimentar para suas famílias e independência econômica, permitindo que rompam ciclos de violência. Ao fortalecer a articulação política daquelas que são as verdadeiras guardiãs de seus territórios, elas conseguem ocupar o espaço público, denunciar as desigualdades e propor soluções que partem da própria experiência comunitária.
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