Duas vezes refugiados: a jornada de Samia e sua família para voltar para casa
Para a maioria das pessoas, “casa” é o lugar onde se guardam nossas memórias e se encontra segurança. Mas, para Samia, o significado de "lar" tornou-se uma busca constante marcada pela incerteza. Pela segunda vez em menos de dois anos, ela e sua família foram forçadas a abandonar tudo o que conheciam em Baalbek, no leste do Líbano, fugindo sob o som de bombardeios e o medo de não sobreviverem ao caminho. Hoje, deslocada em uma região que não lhe é familiar, Samia vive o peso de uma pergunta que ainda não sabe responder aos filhos: "Quando vamos voltar para casa?".
“A primeira vez que precisamos fugir (em 2024), foi um dos períodos mais difíceis da minha vida. E como se essa dor não tivesse sido o suficiente, agora estamos passando por isso de novo”.
O deslocamento forçado é, além de um risco à vida dos refugiados, uma experiência que tira a própria identidade de quem a sofre. Samia descreve com honestidade a pressão psicológica de viver em espaços superlotados, onde momentos simples do cotidiano tornaram-se luxos distantes.
“As pessoas são privadas dos direitos mais básicos. Coisas que antes eram comuns, parte da nossa rotina, agora são um sonho: água limpa, um banho quente, um quarto confortável e com privacidade, onde cada família possa dormir sem medo.”
É um cenário de exaustão e invisibilidade, onde o cansaço acumulado parece não encontrar quem o escute. No entanto, é no meio dessa vulnerabilidade extrema que Samia encontra uma forma de transformar sua própria dor em ferramenta de apoio. Mesmo atravessando seu próprio luto e exaustão, ela atua como voluntária da RDFL, organização parceira da ActionAid no Líbano. Samia percorre escolas que hoje servem de abrigo para pessoas deslocadas, realizando atividades de acolhimento e escuta. Por estar vivendo a mesma realidade daquelas famílias, sua presença carrega uma empatia que não se aprende em manuais; ela sente o que elas sentem, porque compartilha do mesmo chão incerto.
Na ActionAid, acreditamos que a liderança feminina em contextos de crise humanitária é o que permite que a ajuda chegue com dignidade e humanidade. Nosso papel é apoiar e viabilizar o trabalho de mulheres como Samia, que, apesar de exaustas, recusam-se a deixar que as histórias de sua comunidade sejam esquecidas. Ao fortalecer essas redes de solidariedade local, agimos em conjunto para garantir que os direitos básicos e a proteção não sejam apenas sonhos, mas uma realidade restabelecida.
A história de Samia nos lembra que, embora o deslocamento tente apagar o passado, a coragem de cuidar do outro é o que mantém viva a esperança de um retorno. Seguimos ao lado de nossas parceiras no Líbano, garantindo que o grito de quem está cansado seja ouvido e que o suporte chegue a quem mais precisa.
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