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Histórias de Mudança Resposta Humanitária

Como a vida continua para refugiados de guerra como Valentyna

Data: 26/03/2026 Por: ActionAid

Por mais de 40 anos, Valentyna trabalhou no mesmo lugar – na construção e manutenção de uma mina em Myrnohrad, uma vibrante cidade de mais de 46 mil habitantes no interior da Ucrânia. Com a chegada da guerra, porém, ela viu sua cidade praticamente desaparecer, com as evacuações diminuindo a população para pouco mais de mil habitantes, transformando muitos em refugiados, incluindo Valentyna.

Sua cidade, antes uma referência na região, se transformou em um conjunto de ruínas, varandas destruídas e pedaços de vidro por todos os lados. Um jardim de infância recém-inaugurado foi completamente destruído. “Era assustador olhar para aquilo”, ela lembra. “Não havia água ou eletricidade, pedaços de vidro quebrado cobriam tudo”.

Eventualmente, ela foi resgatada por voluntários e levada para um abrigo coletivo para pessoas forçadas a abandonar seus lares depois da invasão russa em 2022. Hoje com 85 anos, ela já vive nesse abrigo há quase 2 anos e, apesar das dificuldades, ela se sente segura e cuidada com carinho pelos voluntários que fornecem roupas, sapatos, cobertores e outras necessidades básicas.

“Temos tudo da cabeça aos pés. Eles cuidam de nós, não é possível nem expressar com palavras”, esse apoio é essencial inclusive para que Valentyna continue vivendo sua vida de forma independente, algo que ela insiste em fazer. “Caminho até lojas próximas e a farmácia [frequentemente], é por isso que eu ainda consigo andar. Devagar, mas consigo, graças a Deus”.

Abrigos como o que Valentyna vive funcionam graças a centenas de voluntários e organizações como a ActionAid, que viabilizam itens básicos de higiene pessoal, alimentação e primeiros-socorros e algumas vezes até itens mais complexos, como um monitor de glicose e um aparelho de pressão que, segundo Valentyna, ela jamais teria conseguido adquirir sem ajuda.

Mas apesar das dificuldades e do que foi forçada a abandonar, a vida de Valentyna ainda tem espaço para reconstrução. Os residentes do abrigo participam de aulas de pintura, atividades físicas, workshops de criatividade e discussões em grupo. Mais do que uma forma de passar o tempo, essas atividades são uma oportunidade de redescoberta.

“Foi a primeira vez que pintei desse jeito”, Valentyna conta com um sorriso. “Formas lindas, nós até fizemos pequenos cavalinhos de plasticina”.

“Tudo o que precisamos, nós anotamos e os voluntários conseguiram. Todos receberam o que pediram. Somos muito gratos. Não quero abandonar esse lugar, eu vou ficar aqui”.
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