Logo ActionAid ActionAid

Histórias de Mudança Resposta Humanitária

A oliveira como resistência: conheça a luta de Mahmoud para permanecer em sua terra

Data: 26/01/2026 Por: ActionAid

Para Mahmoud, 53 anos, as terras do vilarejo de Al-Maniya, nos arredores de Belém, representam muito mais do que apenas o sustento de sua esposa e seus cinco filhos. Entre as folhas e aromas das videiras e oliveiras, está uma herança que atravessa gerações e, para ele, define o que é ser palestino. Mahmoud, que divide seus dias entre o serviço público e o trabalho no campo, enxerga em cada árvore um espelho do seu próprio povo: seres que, embora enfrentem tentativas constantes de silenciamento e desenraizamento, permanecem firmes, nutrindo-se da própria história para continuar de pé.

No entanto, o que historicamente deveria ser um período de celebração e união familiar — a colheita das azeitonas — transformou-se em um cenário de profunda incerteza e violência. Enquanto trabalhava em sua propriedade, Mahmoud foi alvo de agressões severas que resultaram em fraturas na mão e na coluna, além da perda irreparável de mais de cem de suas árvores, destruídas em um ato que tentava ferir não apenas o seu corpo, mas o seu espírito e sua fonte de vida.

“Essas práticas buscam esvaziar as áreas onde agricultores ainda vivem e nos tirar dessas regiões, mas apesar de toda a dor e sofrimento, nós continuamos firmes e não vamos ceder. Mas o que eu gostaria de apontar é: por que eles atacam especificamente as oliveiras? Elas representam vida, esperança, a nossa pátria, o passado, presente e futuro. As oliveiras sofrem o que o povo palestino sofre. Elas são nosso maior símbolo de vida”, afirma Mahmoud.
Para Mahmoud, as oliveiras representam sua herança e a resiliência e orgulho que ele deseja transmitir aos seus filhos / Foto: Wattan ​Media ​Network / ​ActionAid

Mesmo diante da dor física e do rastro de destruição deixado em seu solo, Mahmoud se recusa a desistir do que considera sagrado. Para ele, a oliveira é uma entidade viva que sofre junto com o seu cuidador; ela pode ser quebrada ou arrancada, mas a memória de suas raízes permanece viva. Para ele, sua permanência no território é a forma mais pura de patriotismo: um compromisso inabalável de não abandonar o chão onde seus antepassados plantaram esperança, transformando a simples presença física em um potente ato de resistência e fé.

“Nós somos forçados a encarar essa situação quase como um dilema existencial: ser ou não ser? Nós defendemos nosso direito de permanecer aqui, nos nossos lares, tanto quanto possível, porque isso é o ápice do nosso patriotismo. Nós não temos outro lar, para onde mais iríamos?”

Para apoiar agricultores como Mahmoud, que sustentam e protegem a identidade de comunidades inteiras, a ActionAid atua na região em contato direto com organizações locais, como uma força de apoio e facilitação. É esse trabalho em conjunto que viabiliza o suporte logístico necessário para que a colheita possa ser realizada apesar das restrições e dos riscos constantes. Nosso trabalho é garantir que esses guardiões da terra tenham as ferramentas e a segurança necessárias para continuar protegendo o que é seu, fortalecendo a autonomia de quem escolhe a vida e a permanência diante de tantas adversidades.

Voltar para todas as notícias

Notícias que podem te interessar