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Juliana Câmara

Assessora de Imprensa

05 / 05 / 2017

Laura Sullivan, ativista: ‘Há vestígios feministas na Antiguidade’

Diretora regional da ActionAid, irlandesa esteve no Brasil para discutir medidas sociais que beneficiem os direitos humanos

POR FLÁVIA AGUIAR

“Nasci em Galway, na Irlanda. Iniciei minha carreira no Parlamento Europeu, e trabalho na ActionAid há nove anos, fornecendo apoio a mulheres em todo o mundo para empoderá-las, com ênfase em cidades mais livres e seguras para elas.”

Conte algo que não sei.

O patriarcado só existe há dez mil anos. Há vestígios feministas na Antiguidade. Quando começamos a nos estabelecer na terra e ir à guerra, homens e mulheres passaram a ter diferentes papéis, nos quais o homem ia para o front e a mulher ficava em casa.

Como o aumento do conservadorismo se relaciona com a desigualdade de gênero?

Essa onda conservadora diz muito sobre uma falha em reconhecer a importância de colocar as pessoas e o planeta à frente das tomadas de decisões. Muitos dos pensamentos mais conservadores esquecem as pessoas e os seus direitos. Uma das maiores desigualdades, na verdade, não está na renda, mas no acesso à tomada de decisões. É necessário pensar numa política mais progressista. Algumas pessoas temem a palavra igualdade, mas ela não é sobre botar todo mundo ganhando a mesma coisa. É sobre relações de poder desiguais e sobre tentar olhar para as minorias na sociedade e como elas podem ter acesso à tomada de decisões.

A baixa representatividade feminina no poder reforça essa disparidade?

Não é fácil para as mulheres ocuparem cargos públicos, dada a quantidade de violência verbal e física enfrentada, por terem maior visibilidade. Quando falamos em Congresso, estamos falando do direito da mulher não só de participar, mas de representar. Há uma ideia de que as mulheres não têm direito, capacidade ou habilidade de tomarem decisões para representar a sociedade. É chocante! A violência sofrida dentro desses espaços é especialmente preocupante, porque ela se torna institucionalizada.

De que maneira é possível reduzir os índices de violência contra as mulheres?

No Brasil, 85% das mulheres já foram vítimas de assédio ou violência em espaços públicos. É preciso atacar esse problema em dois níveis: um é na infraestrutura. Quando você pergunta às mulheres do que elas têm medo, frequentemente a resposta é “andar nas ruas quando escurece”, pois aumentam as chances de abordagem. Em São Paulo, por exemplo, trabalhamos em conjunto com a comunidade, e conseguimos equipar 100% da favela de Heliópolis com luzes de LED, em 2015. O segundo aspecto é mudar a mentalidade: o que é violência? É só matar ou bater em alguém? É mais do que isso, ela pode ser moral, verbal… É fazer as pessoas questionarem seus próprios comportamentos.

Como atingir a igualdade salarial entre gêneros?

No ritmo atual, serão necessários ao menos 70 anos para o fim da desigualdade salarial de gênero. O Estado precisa intervir para garantir que haja igualdade salarial. É o que está acontecendo agora na Islândia. Está dentro do poder do governo regular o mercado de trabalho. Ele pode obrigar as empresas a pagarem o mesmo para homens e mulheres, e monitorar essa questão.

Que tipo de políticas públicas podem ser adotadas para diminuir as desigualdades?

É preciso envolver as mulheres no debate social, ouvi-las. As sociedades que funcionam são as que tiveram uma verdadeira política voltada para igualdade de gêneros, serviço público, educação, saúde, mas também para a segurança e as relações sociais. Na América Latina, o Uruguai foi quem mais se aproximou, em termos de políticas públicas, de colocar as mulheres no centro, de fornecer proteção social e também financiar isso. De onde o governo consegue dinheiro para pagar essas políticas e essa proteção social? Isto pode funcionar, especialmente se somos capazes de ter uma sociedade onde as empresas estão pagando seus impostos.

Leia a matéria original na coluna Conte algo que não sei, do jornal O Globo: https://oglobo.globo.com/sociedade/conte-algo-que-nao-sei/laura-sullivan-ativista-ha-vestigios-feministas-na-antiguidade-21296572?utm_source=Twitter&utm_medium=Social&utm_campaign=compartilhar

Juliana Câmara

Assessora de Imprensa

E-mail: juliana.camara@actionaid.org